Neander
Por coisa alguma:: Por coisa alguma ::
Quando se inicia uma canção daquelas que parecem contar uma história vinda do nada, nunca se sabe onde a aventura pode acabar. Quando se deu a concepção da primeira canção desse projeto, logo que passei a observar a letra e todo o clima criado, dando a entender que a coisa não terminaria alí, resolvi, então, entrar de vez na idéia de escrever outras canções que continuassem a narrar uma pequena história sem que elas tivessem uma ligação tão clara. Na minha opinião, as canções também funcionam separadas; tipo aquelas histórias em quadrinhos que têm fim, mas você precisa comprar as outras seguintes para saber o resto da saga. De qualquer forma elas são mais forte juntas!
Há em todas elas um ar de mistério e segredo sobre o que realmente acontece com a personagem…mas a intenção verdadeira é essa mesmo. Gerar curiosidade e desejo. Saber do que tratam realmente essas quatro canções; do que se foge; ou até busca para que e porquê; o que se passa realmente com a personagem e o que ela vai fazer para resolver isso tudo…por outro lado, acabou, se gerando, dessa vez, em uma dessas horas de conversa, uma conclusão que considero a mais inesperada: a de que tudo isso se dá por coisa alguma. Daí o nome do projeto.
Mas, mergulhando mais no fundo, ou talvez, entrando na pele da personagem, se sentirá que há também muita angústia e a falta de algo que se teve ou que nunca se alcançou, ou ainda, algo que se teve e se perdeu. Coisa essa que pode ser até subjetiva, como a confiança, por exemplo. Seja ela em si mesmo, ou em alguém que se ama ou se depende de alguma forma. Porém, se observa também no desenrolar da história, ou das canções, uma certa mistura de sentimentos, o que não se deve ser traduzida como confusão de sentimentos; é um misto de dor e satisfação. Dor de ter que se jogar a própria sorte e suas surpresas e satisfação em estar, ao menos, buscando o caminho que se julga ser o melhor e estar tentando encontrar a solução para o suposto problema que se julga existir.
A vida é um conflito eterno. Carne viva. No caso dessa história, o final é com você (também!).
Léo Noronha
Eram dez, doze ou um pouco mais…
Jovens, frescas, lindas…
Ávidas para serem tocadas, subvertidas, manipuladas…
Para serem amadas, odiadas, incompreendidas e/ou finalmente feias.
Quanto a mim? Fazendo doce… Ou me fazendo de doce, para depois tê-las nas mãos, nos pés, nos dedos.
Uma chamou minha atenção: estava meticulosamente inexplicada, como se dividida em quatro capítulos:
I – Está é a menina,
II – Como vê,
III – O que sente,
IV – E aonde vai…
Perfeita, bela, sombria. Fascinante.
Ambos têm asas… Criador e criatura.
Romário Júnior
Ela enxerga o mundo de outra forma e com medo do que se pode conseguir. Junto a isso chega uma dose de amargura. A vontade de fugir é entregue em suas mãos. Torna-se um alvo fácil para as alucinações. Nunca uma idéia dera certo, nunca um sonho fora realizado. Ela refletiu… É muito forte. Nunca foi tão fácil ouvi-la. Chega ao arrependimento e vira vítima de suas visões, ela está em todo lugar e o medo do tempo passar torna-se maior. Não reconhece a música que toca. Observa a cidade… Faz muito calor… Frio… Faz-se paz e guerra, tudo é grandioso e só dá pra chegar ao beco sem saída. Nada de se vender, ela não tem nada a ganhar. Do outro lado da rua, o apartamento, trancado, ninguém morava lá até ela chegar. Era muito alto. Terrorismo é não tentar. Lá está ela na linha de chegada… Um fiasco, por um triz.
Halreson Ricky
A Neander com o projeto “por coisa alguma” procura mostrar em 4 capítulos a saga de um ser que, busca antes de tudo, o conhecimento de si mesmo abrindo caminho para descobertas que se mostram a cada passo que se conquista, sempre almejando algo maior. A confusão inevitável que é criada nos anseios dessa personagem transparece no toque e acordes das canções, como a trilha sonora de uma historia que está repleta de traços enigmáticos nas frases que se desdobram a cada musica. É de uma sutileza ímpar a maneira que um tema de tamanha importância é tratada nesse projeto, pois essa procura feita pela personagem, os sonhos, as decepções, fazem parte do dia-a-dia da vida de cada um de nós, nossas insatisfações com o nosso “Eu” comum que são os impulsos que fazem o eixo da vida girar, e as grandes mudanças acontecerem.
Breno Wendell
..:: ficha técnica da gravação ::..
léo noronha – voz e contrabaixo
romário júnior – bateria e percussão
halreson ricky – bandolim e acordeom
breno wendell – violão
lucas notaro – guitarra
aldecy souza – viola caipira em “a cada instante”
gravado e misturado no alpha estudio em três semanas, não corridas e não consecutivas, entre dezembro/05 a fevereiro/06 em garanhuns-pe.
produzido pela neander
gravação, mistura e master audeci souza e neander
letras: léo noronha
músicas: neander
ilustrações:
mesmo assim – sérgio macarrão
pela janela – osvaldo filho
panorâmica – marcelo nascimento
a cada instante – robert kemper
arte gráfica – renato lins
